terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Varicela ou Catapora: Existe Vacina, mas somente em clínicas particulares, por enquanto.

O que causa a catapora?
    A catapora é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus varicela-zoster (variante da família Herpetoviridae, o mesmo que causa lesões da Herpes). A transmissão é por via aérea através de microgotículas dispersas no ar e por contato direto com a pele durante a fase em que ainda há vesículas (bolhas) ou por objetos contaminados pelo indivíduo transmissor. A pessoa contaminada pode transmitir a doença de dois dias antes do aparecimento das vesículas até o desaparecimento das mesmas. O período de incubação (tempo entre o contágio e a manifestação da doença) varia entre 2 a 3 semanas. Uma vez infectado, o indivíduo se torna imune, em raros casos pode ocorrer o segundo episódio da doença, até mesmo após a vacinação.

Como ela se manifesta?

    Aparecem manchas avermelhadas espalhadas pelo corpo evoluindo para formação de vesículas (bolhas) e pústulas de conteúdo líquido transparente, possuem tamanho e localização variados. Estas mesmas se rompem virando feridas que originam crostas (de cicatrização). Pode ser acompanhada de prurido (coceira), febre, mal-estar e cefaléia (dor de cabeça). O diagnóstico é clinico, ou seja, apenas com o exame físico, sendo os testes laboratoriais reservados para casos mais graves ou duvidosos.

Tratamento:
    Por se tratar de uma doença de evolução auto-limitada, tende a ter cura espontânea. Sendo utilizado somente medicamentos para amenizar os sintomas, como antitérmicos para febre e antihistamínicos para coceira. O doente dever ficar afastado de outras pessoas suscetíveis (que não foram vacinadas ou que nunca apresentaram a doença) por no mínimo 7 dias ou até o findarem as vesículas. Anti-virais como aciclovir tem indicação específica em casos especiais, pois tem pouca eficácia em casos leves.

Quando se preocupar?
    A preocupação com a doença está nas possíveis complicações que podem ocorrer, principalmente em indivíduos imunocomprometidos (com deficiência do sistema de defesa do corpo, por exemplo SIDA (AIDS), uso de corticosteróides ou radioterapia no tratamento do câncer).
     Complicações: infecções secundárias das feridas de pele por outros tipos de microorganismos (ter cuidados com higiene); encefalite (infecção do sistema nervoso central caracterizadas por convulsões, alterações psicomotoras, de visão ou comportamentais, quadro grave com risco de morte ou sequela neurológica permante); hepatite; artrite; hemorragia; pneumonia; sepse (infecções generalizadas), podendo levar a óbito, dependendo da gravidade de cada caso.
    Complicação tardia: Uma vez a pessoa contaminada pelo vírus, este não é eliminado do corpo, fica em estado dormente no interior de alguns gânglios do sistema nersoso, quando a imunidade (defesa do organismo) baixa, há uma reativação do vírus e a doença se manifesta como Herpes-Zoster de forma localizada (em dermátomos) com dor forte e posterior aparecimento de vesículas (bolhas), acompanhada de febre, mal-estar e celaléia na maioria das vezes.

Vacinação:
    A vacina é a única arma eficaz para evitar a doença e sua complicações. Custo alto, oferecida apenas em clínicas particulares. Preço em torno de 100 reais/dose.
Vacinas disponíveis no mercado:
Varivax: De 12 meses a 12 anos de idade, dose única. 2 doses a partir de 13 anos com intervalo de 3 a 8 semanas.
Varilrix: A partir de 9 meses de idade, dose única. 2 doses a partir de 13 anos com intervalo de 3 a 8 semanas.
Varicela Biken: Dose única a partir dos 12 meses de idade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Boa Noite Doutor meu nome é Ana Paula tenho uma filha de 1 mês e ela esta com catarro congestionado entre o nariz e garganta e esta muito incomodada e não sei o que fazer, gostaria de saber o que posso fazer? qual remedio dar ?

Ola Ana Paula, sua filha de 1 mês esteve em contato com alguém que estava gripado nos últimos 5 dias? Ela pode ter se contaminado pelo vírus da gripe ou algum outro parecido, tipo rinovírus.

Por se tratar de criança de 1 mês de idade, se não tiver marcado consulta com Pediatra em breve, é sempre recomendado levar ao um serviço médico tipo Pronto Atendimento ou Hospital em casos mais graves. Pois nesta idade qualquer secreçãozinha pode ser perigoso por poder obstruir as vias respiratórias. Muitas vezes o bebê pode piorar rápido nesta idade, então todo cuidado é pouco.

Para o manejo da secreção nasal, recomenda-se soro fisiológico 0,9%, meio conta gotas ou meio ml em cada narina, em seguida aspirar com aspirador de narina apropriado para bebês (encontrado em farmácias e supermercados grandes ou lojas especializadas para bebês).

Inalação com 5 ml de soro fisiológico, ajuda também na desobstrução nasal e na fluidificação do catarro, ajudando na expulsão da secreção, podendo ser realizada várias vezes ao dia.

Manter o bebê de preferência deitado de lado com a cabeceira elevada em uma superfície firme (tipo bebe conforto) para ajudar na respiração. Nunca deitar de bruço devido ao risco de sufocamento e maior incidência de morte súbita.

Qualquer sinal de piora tipo: respiração acelerada persistente com esforço respiratório ou geemência, palidez ou lábio roxos, irritablidade aumentada e persistente, impossibilidade de amamentação, levar imediatamente ao médico.
Não existe xarope (expectorante) liberado para esta idade (1 mês). Inalação com fenoterol (conhecido comercialmente por BEROTEC), tem somente indicação em alguns casos de bronquite ou asma, o que necessita de avaliação médica para dar o diagnóstico certo e tratamento. Medidas suplementares, tipo fisioterapia é útil nos casos em que há secreção brônquica, ou seja, secreção em vias respiratórias abaixo do pescoço.

Muitos quadros gripais ou de resfriado em lactentes jovens, como seu bebê, podem evoluir de forma rápida para a chamada bronquiolite. Evidenciado por um quadro mais grave quando o bebê fica com um esforço respiratório maior devido a inflamação das vias respiratórias baixas, ocasionando um quadro de obstrução respiratória baixa. O ar tem maior dificuldade de ser levado aos pulmões pois os brônquios e bronquíolos estão inflamados, levando a uma insuficiência respiratória aguda que deve ser tratada em serviço médico.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Diarréia aguda por rotavírus. Hidratação + Hidratação é a solução!

O que é diarréia? O que causa? Como posso previnir e tratar?
    A diarréia se caracteriza pela diminuição da consistência das fezes, podendo ser líquida ou amolecida, acompanhada do aumento do número das evacuações (em média de 3 vezes ao dia ou mais). Pode estar associada a dor abdominal, febre e vômitos. A ordem do início dos sintomas varia bastante, sendo que muitas vezes a febre e vômitos são os primeiros sintomas, dificultando o diagnóstico de ínicio, pois a diarréia pode demorar até dois dias para aparecer. Há casos em que são eliminados muco (catarro) ou sangue juntos com a diarréia.  Outros sintomas frequentes: aumento da flatulência (gases), cefaléia (dor de cabeça) e diminuição do apetite.

    O rotavírus é o maior causador da diarréia, sendo este responsável por surtos epidêmicos nas comunidades, principalmente onde há muitas crianças aglomeradas e pode ocorrer em qualquer mês do ano. A via de transmissão é oral-fecal (fezes com o vírus contaminam alimentos e água e ao serem ingeridos contaminam as pessoas), também por fômites (objetos contaminados levados à boca) e de pessoa a pessoa. O período de incubação (intervalo de tempo entre a contaminação e o início dos sintomas) varia de 1 a 2 dias. As fezes contém altas concentrações deste vírus que pode ser transmitido desde dois dias antes até 21 dias após o início dos sinais e sintomas. Hábitos de higiene, como lavar adequadamente alimentos que serão ingeridos crus, lavar as mãos antes das refeições e ter fontes de água potáveis de origem confiável podem prevenir esta doença, além de evitar aglomerações e não comer em locais de higiene duvidosa.

    Não existe, até o momento, medicação realmente eficaz que combata o vírus. A vacina oferecida na rede pública para crianças menores de 6 meses é somente válida para evitar as formas mais graves da doença na faixa etária de 6 a 24 meses de idade. Ou seja, a vacina não impede que a criança desenvolva a doença, mas serve apenas para evitar casos de internação em que o paciente recebe hidratação intravenosa devido à desidratação, desnutrição grave e hipopotassemia como consequência da piora dos episódios de vômitos, diarréias. A primeira infecção costumar ter evolução pior do que as posteriores que às vezes passam desapercebidas, segundo estudos.

   O diagnóstico é através da pesquisa direta do vírus na amostra de fezes. Não sendo necessário pesquisar em todos casos de diarréia pois não haverá alteração no tratamento, tendo utilidade mais para notificação epidemiológica. 

    Por se tratar de uma doença de evolução autolimitada e de cura espontânea na grande maioria das vezes, costuma durar em torno de 2 a 5 dias, pondendo ultrapassar 10 dias.

    O tratamento resume-se em manter a criança hidratada, repondo líquidos a cada episódio de diarréia ou vômito. Ofertando soro caseiro (1 copo de 200ml de aguá potável + 1 colher de café rasa de sal + 1 colher de sopa rasa de açucar) ou soros próprios para hidratação oferecidos em postos de saúde ou farmácias. Medicações para vômitos têm pouca eficácia, mas podem ser dados com cautela para crianças. Deve-se ficar atento aos sinais de desidratação: boca seca, palidez cutânea, olhos fundos, sensação de sêde aumentada, urina escura ou em menor quantidade ou ausente, cansaço (respiração ofegante), diminuição do turgor (elasticidade) da pele, irritabilidade, choro constante, sempre levar ao médico se houver piora clínica, principalmente crianças abaixo de 1 ano de idade. Não é recomendado uso de antibióticos e antidiarrêicos. A alimentação deve seguir normal, embora a aceitação esteja diminuída. A melhora do apetite é um sinal de que a cura está próxima.

    Outras causas de diarréia:
Infecciosas: bactérias e suas toxinas, outros vírus e parasitas.
Não Infecciosa:uso de antibióticos, quimioterapia, intolerância a lactose ou glúten, intoxicação por adoçantes (hexitóis), grande ingestão de alimentos, uso de laxantes e antiácidos, gordura não absorvida, tumor pancreático, outros medicamentos

Complicações: intolerância a dissacarídeos (açucares) e miocardite.